Debate da Globo começa com propostas e termina em troca de ataques entre Lula e Flávio

Debate da Globo começa com propostas e termina em troca de ataques entre Lula e Flávio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, na noite desta sexta-feira (23), do último debate presidencial antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). Realizado pela TV Globo, com mediação do jornalista César Tralli, o encontro foi marcado pela apresentação de propostas, críticas às gestões anteriores e troca de acusações pessoais.

Diferentemente do primeiro confronto, realizado pela Band no domingo (18), o debate da Globo teve regras que favoreceram a discussão de temas específicos nos três primeiros blocos. No entanto, na etapa final, de tema livre, os candidatos intensificaram os ataques, trazendo novamente à discussão denúncias e investigações envolvendo seus familiares e aliados.

Economia e custo de vida

Um dos principais assuntos foi a situação econômica do país. Flávio Bolsonaro criticou o preço dos alimentos e o endividamento das famílias brasileiras, responsabilizando o governo Lula pelas dificuldades enfrentadas pela população.

O presidente reconheceu que o endividamento é um problema e destacou programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola. Lula também defendeu a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação.

Flávio, por sua vez, prometeu manter o Bolsa Família, ampliar medidas de apoio aos endividados e adotar políticas para estimular a economia. O senador também afirmou que pretende garantir aumentos reais do salário mínimo.

Segurança pública provoca embate

A segurança pública foi outro tema que gerou divergências. Flávio Bolsonaro defendeu medidas mais rigorosas contra a criminalidade, incluindo a redução da maioridade penal para 14 anos e o aumento das penas para determinados crimes.

Lula defendeu uma maior participação do governo federal na segurança pública, com a criação de um ministério específico e o fortalecimento da integração entre União, estados e municípios.

Durante a discussão, o presidente mencionou o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta durante uma ação policial no Rio de Janeiro, em 2021. Flávio Bolsonaro integrou a defesa de um policial acusado no processo e afirmou que não existem provas de que o agente tenha cometido o crime. A mãe da criança estava presente no estúdio.

Programas sociais e troca de ofensas

No bloco dedicado às políticas sociais, Lula questionou o adversário sobre posicionamentos anteriores relacionados ao Bolsa Família e à ampliação da licença-maternidade.

Flávio reconheceu ter se arrependido de votar contra uma proposta que ampliava a licença-maternidade de servidoras estaduais do Rio de Janeiro. O candidato afirmou que, na época, acreditava que a medida poderia prejudicar a contratação de mulheres.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Lula cobrou explicações por ter sido chamado de “nove dedos” pelo adversário, em referência à perda de um dedo em acidente de trabalho. Flávio pediu desculpas caso tivesse ofendido o presidente, mas também cobrou retratações de Lula por declarações feitas durante a campanha.

Infraestrutura, saúde e educação

Os candidatos também apresentaram propostas para áreas consideradas prioritárias. Lula defendeu a continuidade de obras federais, incluindo a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. Na educação, prometeu ampliar o ensino integral e programas de incentivo à permanência dos estudantes nas escolas.

Flávio Bolsonaro destacou a intenção de ampliar a malha ferroviária, investir em rodovias e estabelecer isenção de pedágio para motocicletas em novas concessões. Na saúde, propôs investimentos em unidades hospitalares, atualização da tabela do SUS e medidas de apoio financeiro às Santas Casas.

Acusações marcam reta final

No último bloco, os candidatos deixaram em segundo plano a discussão de propostas e concentraram parte do tempo em acusações envolvendo familiares, aliados políticos e investigações.

Entre os assuntos mencionados estiveram o caso do Banco Master, questionamentos relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e episódios envolvendo pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro.

As declarações foram utilizadas pelos dois candidatos para questionar a conduta e a credibilidade do adversário, sem que as acusações apresentadas representassem, por si só, comprovação de irregularidades.

O debate terminou sem uma avaliação consensual sobre o desempenho dos participantes. Com a campanha chegando ao fim, Lula e Flávio Bolsonaro entram nas últimas horas de disputa pelo voto dos eleitores.

O segundo turno das eleições presidenciais acontece neste domingo (25), quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o presidente da República pelos próximos quatro anos.



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