Exame toxicológico passa a ser obrigatório para primeira CNH das categorias A e B na Bahia

O processo para a obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motos) e B (carros) passou a contar com uma nova etapa obrigatória na Bahia. O Departamento Estadual de Trânsito do estado (Detran-BA) começou a exigir a apresentação do exame toxicológico para os novos condutores desde a última terça-feira (4). A mudança decorre da Lei Federal nº 15.153/2025, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro para expandir uma exigência que antes era restrita aos motoristas das categorias profissionais C, D e E.

A medida tem como objetivo principal reforçar a segurança viária e reduzir a ocorrência de acidentes ao identificar o consumo de substâncias psicoativas, como maconha, cocaína e anfetaminas, que alteram a capacidade de reação do condutor. A nova regra é voltada exclusivamente para o processo de emissão da primeira habilitação. Dessa forma, os condutores das categorias A e B não precisarão refazer a coleta no momento das futuras renovações do documento, mantendo-se a obrigatoriedade periódica apenas para os motoristas profissionais das categorias superiores.

O teste é realizado a partir da coleta de amostras de cabelo, pelos corporais ou unhas, material capaz de detectar o uso de drogas em um período de até 90 dias anteriores à amostragem. O candidato deve buscar laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), com custos médios na Bahia em torno de R$ 120. O laudo emitido possui validade de 90 dias, motivo pelo qual o órgão de trânsito recomenda que a coleta seja feita na fase final do processo de habilitação. Em situações de resultado positivo para substâncias proibidas, o candidato fica suspenso e precisa aguardar o prazo de 90 dias para realizar um novo exame.

Lula lidera entre mulheres, nordestinos, negros e que recebem menos; Flávio ganha entre homens, brancos e com maior renda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva supera com larga margem seu principal adversário nas eleições deste ano entre os eleitores do Nordeste, as pessoas que se autodeclaram pretas, os que recebem Bolsa Família, completaram até o ensino fundamental, ganham até dois salários mínimos e estão localizados na faixa etária acima de 60 anos.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), até o momento o principal opositor de Lula, consegue abrir maior margem sobre o líder petista entre os eleitores da região Sul, os que se dizem evangélicos, que se autodeclaram brancos, que possuem curso superior e ganham acima de cinco salários mínimos.

As conclusões podem ser retiradas da segmentação das intenções de voto verificadas na mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5). De acordo com a pesquisa, na simulação de segundo turno, o presidente Lula ganharia de Flávio Bolsonaro por 44% a 39%. 

Na divisão do voto por segmentos regionais, de raça, gênero, religião, faixa etária, nível salarial e educacional, Lula demonstra ter maior vantagem sobre Flávio em pelo menos 11 categorias dentre essa estratificação de eleitores. Já Flávio Bolsonaro lidera com expressiva vantagem em cinco categorias. 

Confira abaixo os segmentos em que o presidente Lula apresenta ter maior força sobre Flávio:

Nordeste – Lula 64% x 25% Flávio
Pessoas pretas – Lula 61% x 22% Flávio
Bolsa Família – Lula 62% x 26% Flávio
Ensino fundamental – Lula 55% x 30% Flávio
Até dois salários mínimos – Lula 54% x 30% Flávio
Sem religião – Lula 47% x 32% Flávio
60 anos ou mais – Lula 48% x 34% Flávio
Outras raças – Lula 49% x 35% Flávio
Mulheres – Lula 47% x 35% Flávio
Católicos – 49% x 37% Flávio
Pessoas pardas – Lula 48% x 37% Flávio

Na sequência, veja os segmentos em que Flávio Bolsonaro abre maior vantagem sobre Lula:

Região Sul – Flávio 56% x 29% Lula
Evangélicos – Flávio 48% x 33% Lula
Curso superior – Flávio 45% x 34% Lula
Pessoas brancas – Flávio 46% x 36% Lula
Mais de cinco salários mínimos – Flávio 44% x 36% Lula

Em outros segmentos do eleitorado, a vantagem tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro não são tão expressivas, ou mesmo há empate entre os dois. Veja abaixo quais são esses segmentos:

Pessoas entre 16 a 34 anos – Lula 44% x 38% Flávio
Pessoas de 35 a 59 anos – Lula 42% x 42% Flávio
Ensino médio – Lula 42% x 42% Flávio
De dois a cinco salários mínimos – Flávio 43% x 41% Lula
Região Sudeste – Flávio 40% x 38% Lula
Sem Bolsa Família – Flávio 42% x 39% Lula
Homens – Flávio 44% x 40% Lula
Regiões Centro-Oeste/Norte – Flávio 44% x 40% Lula

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. As entrevistas foram realizadas presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.

Lula terá mais tempo que Flávio na TV: veja a distribuição entre os candidatos

A divisão baseia-se em uma tabela de representatividade partidária divulgada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As propagandas vão ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro.

De acordo com o tribunal, o partido do presidente Lula terá mais tempo de televisão por compor a federação Brasil da Esperança, que integra PT, PCdoB e PV. Além deles, a candidatura de Lula terá o apoio de PSB, PDT e da federação Psol-Rede, o que dá a vantagem ao petista. Serão aproximadamente 5min32s de tempo de televisão para Lula nas propagandas eleitorais.

Ainda que o PL seja o segundo partido com mais deputados federais eleitos (98), o partido não conseguiu costurar alianças que deem ao candidato um aumento no tempo de televisão. Na última semana, a cúpula da federação formada por PP e União Brasil decidiu não estar em nenhum palanque nacional. O Republicanos e o Podemos também adotarão posição de neutralidade.

O cenário é diferente de 2022. Naquela ocasião, Jair Bolsonaro (PL) recebeu o apoio formal de PP e Republicanos antes das convenções. Sem esse apoio, Flávio deverá ter em torno de 4min20s nas propagandas eleitorais.

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, será o terceiro na lista de candidatos com tempo de televisão. O ex-governador de Goiás também não tem apoio de outros partidos. A sua sigla, no entanto, tem 42 deputados na Câmara e fica atrás somente da federação União-Progressista (que não tem candidato), do PT e do PL.

Com isso, Caiado deverá ter cerca de 2 minutos e 2 segundos na televisão.

O último candidato com tempo de propaganda gratuita é Augusto Cury, do Avante. O partido tem 7 deputados eleitos e deve ter 36 segundos nas propagandas.

Outros dois candidatos não atingiram o mínimo esperado pela cláusula de desempenho e, por isso, não terão tempo de televisão. O partido Novo tem apenas 5 deputados e 1 senador eleitos. Sem novas alianças, Romeu Zema não terá acesso à propaganda eleitoral gratuita.

Renan Santos também é outro que aparece bem posicionado nas pesquisas eleitorais e que não terá tempo de televisão. Seu partido, o Missão, tem apenas um deputado eleito e não poderá entrar na divisão do tempo.

COMO FUNCIONA A DIVISÃO

A chamada cláusula de desempenho é uma regra que estabelece que os partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos para ter acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na televisão e no rádio. Na prática, essa norma força os partidos a terem um desempenho nacional e não apenas regional.

O cálculo de tempo de propaganda eleitoral gratuita considera os 510 deputados federais eleitos. Do tempo total, 90% é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.

Na última eleição geral, em 2022, 15 partidos não atingiram a cláusula. Naquele ano, para superar a “barreira”, as agremiações precisavam eleger ao menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da federação, nove estados ou oito estados e no Distrito Federal; ou conseguir ao menos 2% dos votos válidos, com um mínimo de 1% em nove estados.

Para este ano, será preciso eleger 13 deputados federais em pelo menos um terço das unidades da federação, nove estados ou oito estados e no Distrito Federal; ou obter pelo menos 2,5% dos votos válidos, com um mínimo de 1,5% em nove estados.

As eleições seguintes terão um critério ainda mais ampliado. Em 2030, as siglas precisarão ter 3% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, com 2% dos votos válidos em pelo menos um terço das unidades da Federação. Eles também poderão ter acesso ao fundo e ao tempo de televisão se elegerem 15 deputados seguindo o mesmo critério.

Em 2026, dois blocos de 12 minutos e 30 segundos serão exibidos às terças, quintas e sábados no rádio e televisão. Ainda serão divulgadas inserções de 30 e 60 segundos, distribuídas ao longo da programação. Para isso, as emissoras devem reservar 70 minutos diários.

FLÁVIO COM MAIS TEMPO QUE JAIR

Mesmo atrás de Lula, esse será o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita que a família Bolsonaro terá desde que começou a disputar as eleições. Em 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve apenas 8 segundos de tempo de televisão. Na ocasião, Geraldo Alckmin era o candidato do PSDB e liderou o tempo com 5min32s. Fernando Haddad era o candidato do PT e apareceu com 2min23s.

Lula havia sido registrado como candidato do PT, mas o TSE rejeitou a candidatura com base na Lei da Ficha Limpa e aceitou o registro de Haddad somente em setembro, depois do início da campanha.

Já em 2022, Bolsonaro ampliou o tempo de televisão, mas mesmo como presidente, ficou atrás de Lula. O petista tinha 3min23s enquanto o então mandatário teve 2min45s.