Quantos Levis ainda vão morrer em Itabuna ?

Descaso com a vida, burocracia, acordos espúrios, negligencia medica, politicagem e falta de ação popular são alguns dos ingredientes do caos na saúde pública em Itabuna, que neste dia 25/11/2019 ceifou mais uma vida. A criança indígena do Povo Pataxó HãHãHãe de apenas 09 meses (nascido em 31/01/19) Levi Messias Nonato Alves, morreu nos braços da mãe, Misma Nonato Alves, depois de peregrinar por hospitais na cidade. Após ser levado para o Hospital Arlete Magalhães na cidade de Pau Brasil, onde fica a Terra Indígena Caramuru- Catarina- Paraguaçu, Misma foi encaminhada para Itabuna, com o pequeno Levi na madrugada do dia 25/11 em uma ambulância daquele hospital. Ao chegarem no Hospital/Maternidade Ester Gomes em Itabuna lá não foram atendidos – o que foi uma grande falha daquela unidade de saúde – e foram informados que devido a gravidade na saúde da criança a mesma teria que ir para o Hospital Manoel Novaes, onde havia UTI e mais condições de dar assistência ao mesmo. Ao chegar no Hospital Manoel Novaes, a ambulância não pode adentrar a mesma, e, por cerca de 40 minutos Misma teve que cuidar de seu Levi dentro da ambulância do lado de fora do hospital. Pelos acasos da vida, o advogado e militante das causas sociais, Davi Pedreira, que ia para uma atividade física matinal, percebeu a situação e interferiu no sentido do rápido e urgente atendimento da criança, após algumas discussões, finalmente a criança foi atendida, mas infelizmente devido a esta irresponsabilidade causada pela “normas estabelecidas e burocracia” a criança veio a óbito. Uma outra situação foi a tentativa do Hospital Manoel, Novaes em liberar o corpo da criança sem a emissão da Certidão de óbito e a mesma tendo sido emitida ainda sem a causa morte de Levi.

Unidades Básicas de Saúde que sofrem com falta de insumo e de profissionais, uma UPA e o Hospital de Base que convivem com superlotação. Um Hospital Infantil com condições de atender esta demanda fechado: o IPEPI. O Hospital São Lucas já está fechado à muito tempo. O Hospital Manoel Novaes com estas graves limitações no atendimento materno infantil. Esse é o quadro de caos na saúde pública em Itabuna, que em apenas dois anos e meio já passou pelas mãos de seis secretários de saúde. Esta situação começou após a prefeitura encerrar o contrato com o Hospital Infantil e Centro Médico Pediátrico de Itabuna (CEMEPI/IPEPI), da iniciativa privada e não renovar o convênio com o Hospital São Lucas, unidade filantrópica gerida pela Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, em 2018. Ambos acabaram fechando as portas.

As denúncias, reclamações, queixas por parte da população sobre a rede municipal de saúde de Itabuna mostram como a ineficiência e as negligências de gestão podem repercutir perversamente na qualidade de vida dos usuários do sistema público, que sofrem pelo descaso e total falta de atendimento: a morte do pequeno Levi é uma prova inequívoca desta situação. A precariedade das condições de saúde em Itabuna expõe uma realidade que se repete todos os anos e não se chegam a soluções nas administrações que se sucedem. Diferentemente de outros setores da administração, a saúde é fragmentada e falta diálogo e vontade dos atores envolvidos para mudar este cenário. Um dos nossos maiores desafios é buscar a integração entre o público e o privado, de forma a fortalecer o atendimento ao usuário do sistema. A convergência dos encaminhamentos feitos por essas duas esferas, no preparo de suas políticas e estratégias é fundamental neste processo. E os objetivos mandatórios devem prever a sustentação econômica do sistema, a melhoria do atendimento ao beneficiário do SUS e da saúde privada, assim como a garantia da acessibilidade e a satisfação do usuário. A limitação de recursos é um fato inegável, agravada pela redução dos investimentos e gerenciamento ineficiente. Mas, pior que a falta de recursos e inabilidade de gestão, é o mau uso do dinheiro público – que nada mais é do que dinheiro de toda a sociedade. Deveria ser do conhecimento das autoridades governamentais de Itabuna, um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que aponta uma perda de 20% a 40% das verbas destinadas à saúde em decorrência de desperdício, ineficiência, erros médicos e operacionais, procedimentos e equipamentos inadequados, falta de treinamento dos profissionais e a má gestão administrativa.,

A comunidade Pataxó HãHãHãe de Pau Brasil, sepultou debaixo de um clima de revolta e indignação o pequeno Levi e pede justiça, não quer saber destas “engenharias políticas” deste empurra-empurra de responsabilidades, deste jogo de “ping-pong” que mata crianças e desrespeitas a Vida dos usuários. A morte de LEVI não passará em branco.